Publicado por: gilbertoabap | março 19, 2009

CF – 2009

            A Igreja Católica no Brasil promove, mais uma vez, a Campanha da Fraternidade. Neste ano de 2009 o tema versa sobre a “Fraternidade e a Segurança Pública”. A promoção da Campanha da Fraternidade, ultrapassados 40 anos desta prática, é uma promoção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, convocando as comunidades de fé e congregando, em mutirão e cooperação, diferentes segmentos da sociedade brasileira em torno de uma questão da mais alta importância para a vida de todos. A Igreja pretende, pois, com esta Campanha, debater sobre a segurança pública com a finalidade de contribuir, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, fonte inesgotável de valores e princípios, para que a sociedade avance no compromisso e na promoção da cultura da paz. Uma cultura da paz fundamentada e comprometida com a justiça social. A Igreja, pois, com sua ação evangelizadora, adentra em questões complexas que estão configurando as feições da sociedade brasileira contemporânea. Injustiças e violências estão grassando por todo lado na terra de Santa Cruz. A sociedade se torna cada vez mais um palco de inseguranças, gerando um sério comprometimento na convivência humana.

            É preciso reverter este quadro. É uma aposta que não pode ser, absolutamente, descartada. Pelo contrário, é preciso enraizar as motivações e produzir lucidez gerando convicções para que um novo cenário seja desenhado como pano de fundo para a sociedade. Esta aposta numa reversão deste quadro complexo que se apresenta hoje não se conseguirá apenas com reformas paliativas, escondendo no seu bojo os interesses cartoriais de grupos e a desonestidade de tantos manipulando legislações, devorando os bens dos pobres e criando cercas para delimitar campos de defesas para as minorias privilegiadas. A revolução que o cenário violento e injusto posta na sociedade brasileira só poderá ter reversões substantivas na medida em que o ponto de partida for uma referência ética e moral. O Evangelho de Jesus Cristo é esta referência. Supõe sua escuta atenta e humilde.

            A Campanha da Fraternidade, então, é promovida durante o tempo quaresmal para que o apelo à conversão, convite próprio e especial deste tempo, abra os ouvidos e o coração de todos para melhor enxergar os desafios múltiplos e complexos da realidade. Não basta apenas discorrer, analisar e explicar acerca da violência que amedronta na vida da sociedade. Nem também é qualificado lamentar a respeito de situações e acontecimentos. É preciso promover uma sensibilização produtora de gestos concretos e comprometimentos mais efetivos no coração e na vida das pessoas, levando-as a reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social. A consideração das configurações estruturais e conjunturais da violência não dispensa o confronto de cada pessoa com sua própria responsabilidade. Ora, o problema da violência e a promoção da cultura da paz dependem e exigem uma postura própria de cada pessoa.

            Esta dimensão de comprometimento pessoal se desdobra na direção do compromisso de denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas. Este âmbito, é uma convicção social, é um lamaçal terrível. Assim como noutros âmbitos importantes, a Igreja propõe, pela força do Evangelho e de seu compromisso ético, fortalecer a ação educativa e evangelizadora para alavancar a promoção e a cultura da paz. Ora, é preciso crescer na conscientização acerca da negação de direitos como causa de violência. A superação da violência é, pois, uma tarefa prioritária na sociedade brasileira. Esta tarefa não será realizada e suas metas não serão alcançadas sem o comprometimento efetivo de todos os segmentos da sociedade brasileira. Bem assim, não se mantém num ritmo adequado às exigências e demandas faltando uma iluminação ética incidente e interpeladora.

            Esta iluminação ética a Igreja Católica tem como oferta, depositária que é do mandato do seu Senhor para o anúncio do Evangelho. Se é verdade que a segurança pública é dever do Estado, também é direito e responsabilidade de todos. Todas as pessoas aspiram por segurança e estão preocupadas com o problema da falta de segurança pública manifestada na violência no trânsito, no tráfico de drogas, nos cárceres, no tráfico de armas e de pessoas, nas desigualdades sociais, na miséria e na fome, na corrupção. Ao promover a Campanha da Fraternidade 2009 a Igreja Católica se engaja e trabalha para convencer a sociedade inteira acerca da convicção de que a cultura da paz é o maior patrimônio de uma sociedade e que sua conquista não depende apenas e não se resume em discursos ou mesmo só em conjunto de propostas. Na verdade, é um investimento maciço numa mentalidade que determine e modifique o modo de pensar e agir das pessoas. Na verdade, é uma cultura. Este é o compromisso de uma Igreja perita em humanidade!

POR: Dom Walmor Oliveira de Azevedo

FONTE: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=493

 

 

 

Publicado por: gilbertoabap | março 19, 2009

Tempo da Quaresma

            “Convertei-vos e crede no Evangelho. Lembra-te que és pó e ao pó retornarás” São duas reflexões que nos são propostas quando o ministro sagrado, num gesto sacramental, impõe cinzas sobre nossas cabeças que se curvam penitentes. Não vamos receber as cinzas como num ritual sem sentido. Conscientes do pecado do mundo, do nosso pecado também, que quer destruir o plano divino, caminhamos ao encontro da misericórdia de Deus que, pela Encarnação de seu Filho vem restaurar a Humanidade e a todo o Universo. A pregação do profeta Joel que, neste primeiro dia da Quaresma, ecoa em toda a Igreja, nos convoca a conversão, a rasgar nosso coração na sua profundeza, ao arrependimento e a nos abrirmos à bondade divina, acreditando no Evangelho. A penitência que fazemos, o jejum,a oração e a esmola não são obras externas. Nascidas no interior da nossa consciência, apresentamo-las ao Pai, sem trombetearmos pelas ruas e praças, mas na humildade do publicano que, do fundo do templo, batia no peito dizendo “Meu Deus, tem piedade mim que sou pecador” (Lc. 18,13). E sendo uma penitência eclesial, ela não é exclusivamente pessoal; é a penitência de todos os que, batizados, cremos na redenção que, pela sua paixão e morte, o Filho de Deus traz a humanidade na confirmação de sua ressurreição. A nossa falta de fidelidade ao Evangelho, ao reconhecimento do único Deus verdadeiro, à fraternidade entre os irmãos deve conduzir-nos à uma conversão sincera, aos valores que reconhecemos pela fé. “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está perto. Convertei-vos e crede no Evangelho.” (Mc 1, 15) Sintonizados com os nossos Pastores, procuramos descobrir onde estamos mais falhos na fé e na missão. No Brasil, neste ano, vamos meditar na solidariedade e segurança. A falta de fé e solidariedade conduziu-nos a uma angústia do medo. Fechamos nossas casas e nossas propriedades. Fechamo-nos a nós mesmos. Não reconhecemos o próximo. Queremos uma segurança pessoal, como se a técnica e os homens pudessem no-la dar. Esquecemo-nos do que nos pode garantir a tranqüilidade e a paz: a caridade, o amor. Enquanto continuarmos a considerar o homem como lobo do próprio homem, e passarmos ao largo da miséria como se nada tivéssemos a ver com ela, enquanto espoliarmos o próximo no liberalismo da política econômica e da política social, em vão procuraremos segurança. A paz só nos advém da Justiça. Não da justiça farisaica, que foi condenada por Jesus: “Se a vossa justiça não for superior à dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.” (Mt. 5,20). A verdadeira Justiça é a santidade, que supera o “dente por dente e o olho por olho”, no amor, buscando com todas as forças a perfeição, como o Mestre conclui sua pregação: “Sede, portanto, perfeitos, como vosso Pai Celeste.” (Mt. 5, 39-48) A reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, leva-nos a sair de nós mesmos, do nosso medo, da atribuição de culpa a outrem. Procuremos contribuir na construção do Reino, na solidariedade com nossos irmãos. A nossa penitência não pode ser exterior, como pregava São Leão, Papa, no sermão 4 da Quaresma: “Não só na abstinência de alimento consiste nosso jejum: para frutuosamente subtrairmos o alimento ao corpo temos de arrancar a iniqüidade do nosso espírito.” Bento XVI na sua mensagem quaresmal, ressaltando as práticas penitenciais, sobretudo do jejum, insiste no mesmo tema: “A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma, abrindo-a ao amor de Deus e do próximo.” A purificação da nossa vida de fé, refletindo numa caridade sem limites nos levará a pratica da justiça, a sermos perfeitos como o Pai, a quem, seguros e libertos, podemos confiar nossos dias: “Aquele que habita à sombra do Altíssimo, descansará na proteção do Deus do Céu”. (Sl.91 (90).

Por:Dom Eurico dos Santos Velozo

Fonte:http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=506

 

Publicado por: marxlima | março 19, 2009

NÃO UNE, NÃO!

            Recentemente tive acesso ao jornal da UEP (União dos Estudantes de Pernambuco), e vi que lá no cantinho da última página quase esquecido estava um quadradinho verde com um texto, uma espécie de nota da UNE (União Nacional dos Estudantes), que trocando em miúdos é a mãe da UEP. Pois bem, o dito texto que tinha o título de “Retrocesso” fazia menção à instauração no congresso nacional da CPI do aborto em dezembro passado.

            E começa com os termos que são próprios desse tipo de movimento: “O congresso nacional volta a Idade Média e promove uma verdadeira caça às bruxas com a instauração da CPI do aborto”. Não precisava nem ler o jornal inteiro para saber que se tratava de algo dito pela UNE, esse discurso de reprimido é típico deles, mas enfim, parecem tempos de guerra, onde uns caçam bruxas e outros inocentes que não possuem a menor possibilidade de defesa.

            Sabe-se que de fato este é um grito ‘papagaial’ da UNE que faz coro com movimentos feministas os quais também querem promover o holocausto de inocentes em nosso país, mesmo já tendo sido provado (mais de uma vez, aliás) que a maioria dos brasileiros é contra o aborto. Ah! E por falar em grito ‘papagaial’ eles também dizem que o aborto é uma questão de saúde pública, incrível não!? Não é isso que o governo diz? UNE. Sem rodeios, é óbvio que o aborto é uma questão moral, se isso não fosse verdade as guerras no Iraque e Palestina também seriam problema de saúde pública, sim, porque os inocentes assassinados nos ventres de suas mães são tão seres humanos quanto os que morrem em combate e, aliás, como ela mesma cita no texto, só no Brasil ocorrem cerca de um milhão de abortos por ano. Isso é mais do que o número de mortos nas guerras do Iraque e Palestina juntos.

            E não é só! Quem se lembra da caravana da UNE que viajou o Brasil ano passado e que graças a Deus saiu chutada da UFPE, deve ter ouvido também o grito pela legalização das drogas, por que será? Não sei, só sei que se essas pessoas tivessem a grande oportunidade de passar um dia numa comunidade pobre e arrasada pelos horrores do tráfico, certamente mudariam de opinião. Talvez isso não seja possível, porque dos belos apartamentos onde moram parte do movimento não se pode enxergar tais cenas, com seus belos carros não se pode chegar a tais locais, realmente, sendo assim não posso culpá-los, o problema é que de onde moro vejo isso quase todos os dias.

            Nós católicos podemos e devemos começar a dizer não a estes absurdos. Comecemos boicotando as carteiras de estudante confeccionadas pela UNE, assim não estaremos financiando quem faz coro pelo massacre de vidas inocentes e pouco ou nada faz pela melhoria das universidades.

Publicado por: gilbertoabap | janeiro 31, 2009

Paulo, o apóstolo dos gentios

Quando o Santo Padre convocou a Igreja para celebrar o “Ano Paulino” no qual estamos, o desejo de Sua Santidade é que, conhecendo melhor a vida e a ação apostólica de São Paulo, nos empenhemos na compreensão de sua doutrina. O cristianismo nasceu no meio do judaísmo e por isto é que Jesus disse não ter Ele sido enviado senão às ovelhas perdidas de Israel (Mt 25, 24) e ter recomendado inicialmente aos apóstolos que não se dirigissem aos pagãos (Mt 10, 5), não obstante ser o cristianismo uma religião universal. No espírito do Fundador, a sua doutrina e a sua vida destinavam-se a atingir todas as nações. O escolhido para esta abertura do Evangelho às nações foi Paulo, “o apóstolo dos gentios” (At 9, 15). Paulo nasceu em Tarso, onde floresciam escolas de letras, filosofia e ciências. As cartas paulinas deixam claro ter tido ele um conhecimento suficiente da língua grega, não um grego clássico, mas um “dialeto comum”. Em Jerusalém ele se fez discípulo de Gamaliel para o conhecimento da lei (Atos 22, 3) e assim se tornou um fariseu fanático e ardoroso defensor da lei mosaica, perseguindo os cristãos, invadindo suas casas e prendendo os que encontrasse (Atos 8, 1-3). Foi numa das suas invectivas contra eles em Damasco que Deus o surpreendeu. Saulo era seu nome. Na altura de seus trinta anos foi interpelado por Jesus quando, sob a luz irradiante que o envolveu, ouviu o Senhor que lhe perguntava por que o perseguia. São Lucas nos narra com singular colorido ente encontro do perseguidor com o Perseguido: “Saulo, por que me persegues?” Foi este fariseu reto e bem instruído na lei mosaica, que Deus escolheu para levar seu nome, isto é, o mistério da salvação aos gentios, como se lê nos Atos dos Apóstolos (22, 21). Nota-se ainda que São Paulo não deve ter tido acesso aos Evangelhos que hoje conhecemos. A riqueza da doutrina que prega, expressa nas suas epístolas, ele confessa ter recebido diretamente do Senhor. Ele o diz na 1ª aos Coríntios (11, 23) ao falar do dogma eucarístico: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti”. O mesmo ele diz a respeito do matrimonio (1ª Cor 7, 10). Sua doutrina ele a recebeu do Senhor para pregar aos gentios, aos quais fora por Deus enviado como mensageiro da salvação. É o doutor dos povos não-judeus. “Ano Paulino”, este que estamos vivendo, é ocasião feliz para conhecer melhor a rica doutrina do Apóstolo. A sua festa no dia 25 de janeiro, comemorando a sua conversão é o momento de inflamar-nos no amor Àquele que nos chama à fé e nos destinou à felicidade que não tem fim. É bem verdade o que se lê no final dos Atos dos Apóstolos: “Aos gentios foi enviada a salvação que vem de Deus” (28, 28).

Por: Dom Benedicto de Ulhôa Vieira

Fonte:http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=446

Publicado por: Gustavo Souza | janeiro 13, 2009

A cruzada do JC contra D. José

  

            Para não perder o costume de elevar a figura de D. Hélder Câmara e – ao mesmo tempo – denegrir a de D. José Cardoso Sobrinho, o JC lançou hoje um artigo intitulado: os dons do “Dom”. De autoria do ex-deputado Dorany Sampaio, o texto não se acanha em elogiar grandemente D. Hélder: “um dos brasileiros mais notáveis do século passado”, “bravo líder religioso”, “intrépido defensor dos direitos humanos”.

            Além disso, Dorany relembra que D. hélder foi o “principal inspirador e artífice” da CNBB. Reitera, também, sua “lucidez e clarividência políticas”, seu papel durante e após a derrocada do regime militar, etc.

            Colocados os devidos pontos nos is, alguns desses elogios seriam justos. Mas tudo vem por água abaixo quando o autor arremata: “Lamentavelmente para todos nós, não tem sido fácil encontrar outros Doms, como aquele!” A crítica ao atual arcebispo é velada, mas perceptível. Por que essa mania de tentar dividir a Igreja de Olinda e Recife em antes e depois de D. Hélder Câmara? Por que tentar colocar um bispo contra o outro? Passam os dias e não consigo encontrar essas respostas… Mas a pergunta que verdadeiramente me inquieta é a seguinte: se alguém escrevesse um texto tecendo elogios a D. José será que o JC publicaria?…

 

Publicado por: kleberabap | janeiro 11, 2009

Cordel dos”Crentes”

Esse é o cordel Cristão
do matuto inteligente
ele trata da questão
da falsidade dos crentes
que se chamam de irmãos
e tratam os outros diferente .

Lá na frente um sujeito
falante de paletó
dizia que era pastor
se sentia o tal Jacó.
Mas o Cristo já dizia
que pastor existe um só.

Se muda de atitude e não de religião,
crente diz não ter pecado
e que tá na salvação,
mas é só um mentiroso.
Diz o versículo 10, da epístola primeira,
no capítulo 1, de João.

Foi a Igreja Católica
que Jesus Cristo fundou,
tá em Mateus 16,
e a São Pedro confiou.
As chamadas protestantes
foi Lutero que inventou.

Ele dizia que Roma
era a sede do cão.
Mas, tentou ter lá um trono,
com morte e rebelião.
Era mesmo só inveja
quis ser Papa no empurrão.

Mateus 12, verso 30,
Jesus disse, prá que valha:
Quem não é comigo, é contra,
quem comigo não ajunta, espalha.
A fé de Jesus é única.
Hoje a dos crentes são várias.

Deus proibia só aos ídolos(Ex 20,4)
dos pagãos e filisteus.
Mandou sim fazer estátuas-(Ex 25,17-20)(I Rs 6,23-35 e
7, 29)
pros que estavam ao lado seu,
porque são inteligentes.
Não se enganam como os crentes,
nunca chamam elas de Deus.

Salomão as pôs no templo (IReis 6,23-35 e 7,29)
Por que Deus solicitou,
Moisés esculpiu serpente (Nm 21,7-9)
e quem viu ela sarou.
Os filhos de Dã e o Micas
o próprio Deus levantou e Davi foi salvo um dia
pela imagem que usou. (1 Sm 19,12-19)

Mas o crente sabe disso
fica falando bobagem (Pv 18, 7)
pula as folhas da Bíblia
quando lê, por sacanagem,
mente e diz que Deus proibiu
é assim que eles agem,
quando até rato de ouro
Deus gostou que fabricassem. (1Sm 6,5)

Publicado por: Gustavo Souza | janeiro 9, 2009

A nova evangelização

Há alguns dias meu pai me contou uma história. Não sei onde ele ouviu, mas achei muito interessante. Como se aplica ao que pretendo tratar neste texto, quero fazer eco às palavras de meu pai.

            “Conta-se que um cego pedia esmola numa calçada da cidade de Paris. Em suas mãos trazia um cartaz que dizia: ‘Ajude-me, por favor. Sou cego’. As pessoas passavam e, uma ou outra, deixavam uma moeda aos pés do mendigo. Ao fim do dia, ele recolhia as moedas. Normalmente, o que apurava mal dava para jantar… Certo dia, porém, passou por ali um publicitário. O homem se deteve diante do cartaz do mendigo e, após tirar do bolso uma caneta, pediu-o emprestado. O mendigo concedeu. Tomando o cartaz em suas mãos, o publicitário rabiscou algo no verso e devolveu-o ao cego, pedindo que ele segurasse de tal forma a mostrar aos transeuntes a nova mensagem que estava escrita. Ao longo do dia, muitas moedas foram depositadas aos pés daquele mendigo. Até cédulas lhe foram entregues! Ele percebia que algumas pessoas paravam diante dele e pareciam chorar emocionadas. Mas com o quê? Ele não sabia… Até que um dia o publicitário passou novamente diante dele. Quando ouviu a voz daquele homem o cumprimentando, o cego gritou: ‘senhor, por favor, me diga o que escreveu no cartaz’. O homem sorriu e disse: ‘não escrevi nada além da verdade. Apenas usei outras palavras’. A inscrição dizia o seguinte: ‘Hoje é primavera em Paris. Os rouxinóis cantam e as flores desabrocham alegres e coloridas. Pena que eu não as possa ver… ’”.

            Creio que esta história ilustra bem aquilo que nós, cristãos, precisamos fazer para evangelizar. O evangelho é o mesmo. A verdade é a mesma. Nada mudou. “Cristo, ontem, hoje e sempre”. Mas a maneira com que nós vamos apresentar Jesus ao mundo é que pode ser diferente. Claro que isso emana, primeiramente de uma atitude interior: Ser diferente faz a diferença. Só iremos anunciar a novidade de Cristo, quando formos homens novos (Ef 4,24).

            Por outro lado, sabemos que a Igreja – como disse o papa Bento XVI, na sua visita ao Brasil – não cresce por proselitismo, mas sim por atração. É Cristo que atrai os homens a si. As nossas “técnicas” de evangelização nada adiantariam se Cristo não os seduzisse. Entretanto, a nós cabe empregar os dons que ele nos concedeu. Não podemos enterrar o talento que recebemos (Mt 25,25). Devemos usá-lo de tal forma que “renda”, sabendo que, mesmo esse lucro, só pode ser obtido mediante a graça de Deus. Não é porque o Senhor colhe onde não plantou (Mt 25,26) que nós iremos deixar de semear. O homem planta e rega, mas é Deus que fazer crescer (1Cor 3,7). É verdade que Deus é quem faz germinar e crescer. Mas nem por isso vamos deixar de regar! Façamos a nossa parte, pois a de Deus é garantida.

            O que acontece muitas vezes é uma acomodação que nos impede de ser criativos. De ter a criatividade daquele publicitário. O que acontece é que muitas vezes nos prostramos como aquele cego que, provavelmente já estava conformado àquela realidade. “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2). A acomodação, a preguiça nos impede de avançar para as águas mais profundas (Lc 5,4). A margem nos parece mais segura… Desta forma, nossos apostolados e projetos de evangelização vão ficando medíocres e enfadonhos. E isso é grave!

            É bem verdade que há que se tomar alguns cuidados. Não podemos, por exemplo, correr o risco de querer mascarar a verdade, ou desfazer-nos de nossas tradições sob o pretexto do novo. O prurido de coisas novas, como dizia Leão XIII, na Rerum Novarum, não nos deve afastar dos valores perenes, das verdades inegociáveis; nem nos fazer abandonar aquilo que, embora seja “velho”, é bom. “O reino dos céus é como um pai de família que tira de seu tesouro, coisas novas e velhas” (Mt 13,52).

            Na tentativa de inovar, de apresentar de um jeito novo o evangelho de sempre, acaba-se por cometer alguns erros de percalço. Alguns católicos andam palmilhando o caminho contrário ao que a Igreja traçou ao longo dos séculos. Ao invés de cristianizar aquilo que é pagão, tentam paganizar a Igreja. Veja-se, por exemplo, o caso das missas “animadas”. A Igreja não precisa incluir danças e “ornar” a Sagrada Eucaristia com apetrechos estranhos a ela, para torná-la mais “atrativa”. A beleza da missa emana justamente da serenidade com que ela é celebrada: a mesma serenidade com que Cristo abraçou a cruz! O que atrai as pessoas ao altar é o perfume suave que o sacrifício de Jesus exala.  E só.

            Também é muito comum que alguns líderes de evangelização da juventude, provavelmente sem se dar conta, acabem fazendo uma anticatequese quando, por exemplo, criam ou motivam a tal balada “santa”. Em vez de permitir que os jovens vão para as baladas  (do mundo mesmo) para que – por seu comportamento irrepreensível – sirvam de exemplo a outros; tentam, por assim dizer, “trazer a balada para dentro da Igreja” para, através dela, convidar jovens a ser de Deus. Estão cheios de boas intenções, eu creio. Mas não me convenço de que essa técnica seja eficaz. A meu ver, isto conduz a uma visão errada daquilo que é profano. O profano não é, nem nunca foi, sinônimo de demoníaco. Só os puritanos é que acham que sim. Essa visão prejudica, também, a correta compreensão do que vem a ser o sagrado. Pode cair no engodo, perigosíssimo, de achar que a balada pode ser dita “santa”, assim como a Missa é Santa…

            Que Deus nos ajude e nos ensine a evangelizar. Que Ele nos dê criatividade e sobriedade, coragem e determinação. Que ele nos motive quando estivermos desestimulados, e que nos ampare quando tivermos errado na tentativa de acertar. Aprendamos de São Paulo, a técnica por ele usada para conquistar as almas para Cristo:

            Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei. Para os que não têm lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de Deus – porquanto estou sob a lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm lei. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos. E tudo isso faço por causa do Evangelho, para dele me fazer participante” (1Cor 9, 20-23).

Publicado por: gilbertoabap | dezembro 26, 2008

HOJE NASCEU O NOSSO SALVADOR

Nossa Santa Igreja, no dia de Natal, nos convida a meditar sobre as seguintes palavras do Papa São Leão Magno: “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade”.

No Natal recordamos e revivemos o evento mais importante de toda a história humana: a entrada do Salvador neste mundo. Entretanto, não se trata de uma mera recordação de um acontecimento do passado. Jesus veio há 2008 anos. Jesus vem todos os dias, especialmente no momento da celebração eucarística. Jesus virá no final do tempo.

Ele mesmo o afirmou solenemente: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

Portanto, para nós católicos, a celebração do Natal é um convite a recordar e reviver esta presença contínua de Jesus em nossa vida. É um encontro com Aquele que “nos libertou do poder das trevas” (Col. 1,13) e tornou-se, para cada um de nós, “o caminho, a verdade e a vida”.

Na sociedade atual, para muitos a celebração do Natal tornou-se uma festa meramente profana, na qual o grande ausente é o Aniversariante.

No meio de tantas distrações, procuremos celebrar dignamente esta grande Solenidade, renovando a nossa vida espiritual, pela recepção do sacramento da penitência e pela comunhão eucarística. Somente assim encontramos realmente, já aqui na terra, o nosso Salvador e nos preparamos para o encontro definitivo, quando Ele nos chamar para participar do seu reino. Somente assim, o Natal será realmente para nós a festa da alegria e podemos escutar, como dirigidas também a nós as palavras proferidas pelo Anjo do Senhor na noite de Belém: “EU VOS ANUNCIO UMA GRANDE ALEGRIA! NASCEU PARA VÓS O SALVADOR”.

POR: Dom José Cardoso Sobrinho

FONTE:http://www.arquidioceseolindarecife.org.br/palavra.htm

 

 

 

 

 

Publicado por: gilbertoabap | dezembro 26, 2008

Altos e baixos

Natal chegou de novo. Pouco ou quase nada se percebe sobre o caráter cristão da época natalina. Natal e Páscoa são datas magnas do Cristianismo, porém esvaziadas de sentido. As dimensões espirituais, transcendentes, cederam à realidade comercial, assim como a vida que vai se tornando cada vez mais mercantilizada. O sentido do Natal praticamente foi encampado por outros atrativos de felicidade. Que tipo de felicidade? Certamente a felicidade material, embora o ser humano continue a buscar não somente a si mesmo e o seu prazer individual. Está aí a família, onde se partilha o prazer de vivermos a vida em comum. Estão aí também os parentes e amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Afinal existem referências, espaços concretos de viver em comum a felicidade que buscamos. Pois esses se constituem espaços onde construímos efetivamente a felicidade partilhada, co-dividida.

 

Entre os altos e baixos da vida, a busca da felicidade continua. Não é tão fácil manter acesa a chama do amor recíproco, autêntico, verdadeiro. Esse é o desafio constante que norteia a nossa busca da felicidade. Tenhamos sempre em vista a pessoa e a coletividade, eu e os outros, nós e os demais. Não podemos perder essa bússola, que aponta para o norte dos ideais, dos projetos de cidadania, da conquista do bem coletivo, da inclusão social. Deus está presente nessa busca. Ninguém está sozinho. O amor de Deus estará sempre presente, pois Deus é Amor que nos ama em primeiro lugar.

 

Preparemos-nos para o santo Natal renovando nossos bons propósitos e resoluções sensatas, tentando a cada dia amar sem egoísmo. Sabemos como as nossas boas intenções esvaem-se ao primeiro ímpeto de contrariedade, de aborrecimento. A vida não é como a gente pensa e deseja. As provas, as tentações, as lutas fazem parte do nosso desenvolvimento humano e espiritual. Sem crises, tentações e mesmo quedas, enfraquecemos ainda mais o espírito e entregamos ouro ao bandido. O maior inimigo do crescimento humano é abandonar-se ao desânimo, deixando de buscar o sentido da vida.

 

Não queiramos tudo nas mãos, inclusive possuir o afeto de todos, pois, um dia nos decepcionamos. O amor próprio ferido impede o nosso crescimento, que deve passar por um bom burilamento interior, sobretudo quando formos atraiçoados pelas nossas próprias paixões, ainda que secretas. Resultados imediatos esvaem-se como fumaça de fogo de palha. Recado final, preparando-nos para o Natal cristão: sirvamos! Servir ao próximo! Esse é o lugar do encontro com Deus. Para isso o seu Filho veio ao mundo, dando sentido para a vida.

POR:Dom Aldo Di Cillo Pagoto

FONTE:http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=382

Publicado por: gilbertoabap | dezembro 26, 2008

Vivei sempre alegres

Alegremo-nos! Vamos ao encontro do “Maravilhoso Conselheiro, do Príncipe da Paz” (Is 9,5), do Redentor que se aproxima.

 

Estão-se completando os dias (cf. Lc 2,6) daquele bendito e santo Nascimento que reviveremos nos mistérios da Noite Santa do Natal. Torne-se nossa vigilância mais intensa e nossa oração mais confiante.

 

Todos os anos somos convidados a resgatar o sentido pleno do Natal de Jesus, para vivê-lo como cristãos e cristãs, fugindo à mentalidade cada vez mais paganizada de nossa época. Não nos deixemos infectar ou contaminar pelo vírus do consumismo e do materialismo. Infelizmente, antes mesmo de iniciarmos o tempo litúrgico do Advento, enfeites natalinos e a voracidade consumista invadem nossas ruas, lojas e até nossos corações. Com isso, o Natal cristão vai-se transformando em simples recordação do nascimento de nosso Salvador.

 

Não obstante a mentalidade semipaganizada do Natal, a festa da Criança de Belém é um dom de luz que rasga e rompe as trevas da humanidade, prisioneira do pecado, incapaz de amar. O Natal do Senhor abre-nos a uma incontida alegria, de que ninguém sai ileso. A liturgia cristã é significado de festa,  porque “Deus está conosco”. Onde há vida, há alegria. A alegria causada pela vinda do Salvador é portadora de paz e de esperança.

 

Diante do presépio, ficamos tomados de ternura e exultação a contemplar enlevados o mistério de vida que encerra o amor infinito de Jesus Salvador. Por isso, vamos às pressas a Belém para ver o recém-nascido deitado na manjedoura (cf. Lc 2,15-16). Não fiquemos trancados em casa, prisioneiros de nossas trevas e negativismos. Vamos! Guiados pela Estrela, vamos com o coração alegre e feliz! Lá há uma Luz resplandecente que nos faz transcender o que vemos com os olhos da carne. Sim, os olhos da mente abrem os caminhos do coração, que permitem apreender e acolher a Verdade que nos liberta de todo mal. A Luz de Belém empenhar-nos-á em viver na liberdade e na dignidade de filhos e filhas de Deus. Fará com que abandonemos a noite do pecado, abrindo-nos para a graça da Vida nova, iluminados pela “Luz verdadeira, que vindo ao mundo, a todos ilumina” (Jo 1,9). A alegria completa nasce da Luz que resplandece num coração transparente, que não teme a escuridão da falsidade. Não se trata de uma alegria frenética causada pela droga, pelos paraísos artificiais e enganosos, pela embriaguez momentânea… Trata-se da embriaguez do Espírito que regenera e renova, trazendo paz e serenidade ao coração humano.

 

Estamos bem próximos da chegada do Deus Menino. Ninguém falte ao encontro marcado com Ele. A incomensurável distância percorrida por Deus para chegar até nós é razão suficiente para corrermos ao Seu encontro e sentirmos “que coisa é o ser humano, para dele te lembrares e o visitares” (Sl 8,5).

 

Na proximidade do Natal, não há motivo para angústias e temores. Fazendo espaço para Jesus nascer, o Natal será ocasião única para um encontro vivo, amigo e pessoal com Ele. Acolhamos Jesus Cristo, “concebido por obra do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria”. Acolher o Filho de Maria significa mostrá-Lo vivo, transparente em nós, visibilizando em nosso jeito de ser a Sua amabilidade, a Sua ternura, a Sua bondade e o Seu amor.

 

por: Dom Nelson Westrupp

FONTE:http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=376

Older Posts »

Categorias